Com 21,3% dos prejuízos do país, Nordeste soma R$ 159,5 milhões em perdas no 1º semestre. Timon, BR-101 e BR-316 estão entre os pontos críticos de roubo de cargas na região

Paulo Goethe

De Recife paulo.goethe@movimentoeconomico.com.br / FONTE: ME

O Nordeste respondeu por 21,3% dos prejuízos com roubo de cargas no Brasil no primeiro semestre de 2025, segundo levantamento do ecossistema Nstech, especializado em soluções para gestão de riscos logísticos. Considerando o crescimento de 24,8% nas perdas nacionais em relação a 2024, e tomando como base os R$ 1,2 bilhão registrados no ano passado pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), o prejuízo estimado da região foi de R$ 159,5 milhões. O Report Nstech de Roubo de Cargas – 1º semestre de 2025 está disponível neste link.

A participação regional representa uma alta de 5,5 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. Três estados — Pernambuco, Maranhão e Bahia — concentraram 85,5% das perdas do Nordeste, com destaque para a cidade de Timon (MA), responsável isoladamente por 24,3% do valor sinistrado na região.

Em escala nacional, o prejuízo estimado foi de R$ 748,8 milhões, encerrando três semestres consecutivos de retração. Apesar do crescimento absoluto, a taxa de sinistralidade caiu 9,7%, reflexo das estratégias de controle aplicadas pelas gerenciadoras de risco Buonny, BRK e OpenTech, integradas à base da Nstech. O índice de recuperação de cargas alcançou 74,1%, o maior já registrado pela empresa.

Perfil das cargas e corredores críticos

As cargas fracionadas responderam por 34,8% do valor sinistrado no Nordeste, mantendo a liderança entre os principais alvos. Em seguida, aparecem eletrônicos (19,1%)higiene e limpeza (18,6%)alimentos (17,4%)defensivos agrícolas (8,3%) e bebidas (1,9%). O perfil difere da média nacional, onde os alimentos lideram com 33,3% das perdas.

As rodovias BR-101 e BR-316 foram os principais corredores de risco da região, com 27,9% e 25,6% dos prejuízos, respectivamente. Apenas 3,3% das ocorrências nordestinas ocorreram em trechos urbanos, índice bem abaixo da média nacional (27,7%).

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No recorte estadual, Pernambuco respondeu por 34,1% das perdas do Nordeste, seguido por Maranhão (33,6%) e Bahia (17,8%). A consolidação de Timon como ponto crítico reforça a interiorização das ocorrências, antes mais concentradas em áreas metropolitanas.

taques noturnos e pressão sobre o setor

O relatório aponta que 51,4% das ocorrências no Nordeste aconteceram no período noturno, superando a média nacional (42,1%). As sextas-feiras lideraram os registros semanais (23,2%), seguidas pelas quintas (20,9%). A mudança no padrão reflete o avanço das operações fracionadas e a adaptação das quadrilhas à dinâmica de entrega urbana.

As faixas de maior risco coincidem com janelas de menor cobertura de rastreamento em tempo real e ausência de escolta armada, pressionando o setor logístico a revisar turnos e protocolos de segurança.

No âmbito nacional, o levantamento mostra queda nos ataques a cargas de alto valor unitário, como cigarros (de 7,7% para 2,5%) e medicamentos (de 7,1% para 1,7%).

Tipos de carga mais visados no Nordeste no 1º semestre de 2025 (Tabla)

Nova portaria da ANTT reforça fiscalização

O cenário deve ganhar novo impulso com a entrada em vigor da Portaria Suroc nº 27/2025, publicada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em 11 de agosto. A norma permite a suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) para operadores que não comprovarem a contratação dos seguros obrigatórios.

Para o diretor de Relações Institucionais da CNseg, Esteves Colnago, a mudança representa um avanço no modelo de fiscalização:

“É de suma importância essa nova normativa da ANTT. Ela traz uma evolução no método de fiscalização, saindo de uma abordagem baseada em documentos físicos para um modelo digital e integrado, o que promete maior eficiência e controle sobre a obrigatoriedade da cobertura de seguros no transporte de cargas, aumentando a segurança para todos os envolvidos na cadeia logística”, afirmou.

Em junho, o Rio de Janeiro superou São Paulo como o estado com maior valor de perdas do país, acumulando 56,6% do total nacional naquele mês, frente a 3,7% de São Paulo. A inversão no ranking acendeu alerta entre operadores logísticos e seguradoras, que monitoram a redistribuição territorial das ocorrências.

*Com informações da Agência Brasil

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