Entenda em quais áreas hospitalares o sistema VRV/VRF pode ser aplicado, suas vantagens energéticas e como se integra a projetos de climatização

FONTE: BLOG DO FRIO Por João Agnaldo Ferreira

Projetar a climatização de um hospital nunca é uma tarefa simples. Diferentemente de edifícios comerciais ou residenciais, os ambientes hospitalares apresentam exigências técnicas muito mais rigorosas. Além do conforto térmico, o sistema de ar-condicionado precisa contribuir diretamente para a qualidade do ar, para a segurança dos pacientes e, em muitos casos, para o próprio controle de infecções.

Diante desse cenário, diversos profissionais da área de ar condicionado (HVAC) começam a avaliar tecnologias que, até algum tempo atrás, eram mais comuns em hotéis, escritórios ou shopping centers. Entre essas tecnologias, o sistema VRV, também conhecido como VRF, passou a despertar interesse em projetos hospitalares.

Mas afinal, em que situações esse tipo de sistema realmente pode ser utilizado dentro de um hospital?

Pois bem, para responder a essa pergunta de maneira equilibrada, é necessário primeiro entender como funciona o sistema e, ao mesmo tempo, compreender as particularidades do ambiente hospitalar.

Como funciona a tecnologia VRV

O sistema VRV, sigla para Volume de Refrigerante Variável, baseia-se em um princípio relativamente simples, porém bastante eficiente. Em vez de operar sempre com capacidade fixa, o sistema regula continuamente a quantidade de refrigerante enviada para cada unidade interna.

Assim, cada ambiente recebe exatamente a carga de refrigeração necessária naquele momento.

Na prática, isso significa que diferentes espaços podem manter temperaturas distintas ao mesmo tempo. Além disso, a capacidade do sistema se adapta às variações de carga térmica ao longo do dia.

Esse tipo de controle proporciona duas vantagens importantes:

  • Maior eficiência energética
  • Maior flexibilidade de climatização

Por esse motivo, o VRV/VRF passou a ser amplamente utilizado em edifícios com múltiplos ambientes e demandas térmicas variadas.

Foto: Shutterstock

As particularidades da climatização em hospitais

Entretanto, quando se fala em hospitais, o cenário muda um pouco. Isso acontece porque cada setor da edificação possui requisitos ambientais bastante específicos.

Alguns ambientes, por exemplo, exigem apenas conforto térmico semelhante ao de escritórios ou hotéis. Outros, no entanto, necessitam de controle muito mais rigoroso.

Entre os setores que normalmente o projeto tem de ser mais criterioso, estão:

  • Centros cirúrgicos
  • Unidades de terapia intensiva
  • Salas de isolamento
  • Ambientes com pressão controlada
  • Áreas farmacêuticas ou laboratoriais

Nesses casos, o sistema de climatização precisa controlar simultaneamente diversos parâmetros, como temperatura, umidade relativa, pressão diferencial e níveis de filtragem do ar.

Consequentemente, muitas dessas áreas utilizam sistemas dedicados de tratamento de ar. Por outro lado, dentro do mesmo hospital existem diversos ambientes com exigências menos restritivas.

Entre eles podemos citar:

  • Quartos de internação
  • Consultórios médicos
  • Salas administrativas
  • Áreas de espera
  • Setores de diagnóstico

E é justamente nesses locais que o VRV começa a aparecer como uma alternativa interessante.

Experiências do uso de VRV em hospitais

Nos últimos anos, alguns hospitais brasileiros passaram a adotar sistemas VRV em determinados projetos de expansão ou modernização (retrofit).

Em São Paulo, por exemplo, hospitais reconhecidos nacionalmente já utilizaram soluções baseadas em fluxo variável de refrigerante em partes de suas instalações. Essas aplicações demonstram que a tecnologia pode funcionar de forma eficiente quando utilizada nos ambientes adequados.

Instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês e Hospital Samaritano já recorreram a soluções desse tipo em projetos específicos.

Nesses casos, o objetivo principal foi combinar controle térmico eficiente com flexibilidade de instalação e redução do consumo energético. Falamos aqui de redução na conta de energia elétrica.

Por que o VRV tem chamado atenção no setor hospitalar?

O interesse crescente pelo VRV dentro do setor de saúde não acontece por acaso.Primeiramente, hospitais operam continuamente, ou seja, 24 horas por dia e 365 dias por ano. Portanto, qualquer melhoria em eficiência energética pode representar economia significativa ao longo do tempo.

Além disso, a capacidade de controlar diferentes ambientes de forma independente também se mostra bastante útil. Em um hospital, cada setor pode apresentar ocupação e carga térmica distintas.

Para citarmos um exemplo prático, imagine que alguns ambientes como “Sala de Repouso”, “Sala de Recuperação de Cirurgia”, “Ala de Idosos” entre outros, necessitem de aquecimento. Agora imagine que os escritórios da administração, o CPD, a TI e muitas outras áreas necessitem de resfriamento. Pois bem, os fabricantes de VRV/VRF disponibilizam produtos chamados “Heat Recovery”, que atendem a esta demanda. Esquentam alguns ambientes e esfriam outros ao mesmo tempo. E, mais uma vez, o sistema ajusta automaticamente sua operação, evitando desperdício de energia.

Outro fator relevante envolve a própria arquitetura hospitalar. Hospitais costumam passar por ampliações e reformas frequentes. Nesse contexto, sistemas VRV permitem adaptações relativamente mais simples quando comparados a algumas soluções tradicionais. Como são sistemas modulares, cujos condensadores aumentam de capacidade de 2 em 2 HP, isso permite a instalação por setores. Não é necessário parar o hospital inteiro para a implementação.

Foto: Shutterstock

Integração com sistemas de ventilação

Embora o VRV seja um sistema de expansão direta, ele não precisa operar isoladamente.

Na prática, muitos projetos combinam VRV com sistemas de ventilação mecânica e filtragem de ar. Dessa forma, o sistema de ar-condicionado trabalha em conjunto com unidades responsáveis pela renovação e tratamento do ar.

Essa integração torna possível atender requisitos normativos relacionados à qualidade do ar interior. De fato, atendem à legislação pertinente, brasileira e internacional quanto ao quesito qualidade do ar interior (QAI).

Portanto, o VRV pode funcionar como parte de um conjunto maior de soluções de climatização.

O papel do projeto e da engenharia

Naturalmente, a aplicação de qualquer sistema de climatização em hospitais exige planejamento técnico rigoroso. Por isso existem projetistas dedicados a esta tarefa.

Antes da escolha da tecnologia, é necessário avaliar cuidadosamente as necessidades ambientais de cada setor da edificação.

Nesse processo, entram fatores como:

  • Normas técnicas vigentes
  • Exigências de filtragem
  • Taxas de renovação de ar
  • Controle de pressão entre ambientes
  • Requisitos de segurança operacional

Por esse motivo, projetos hospitalares normalmente envolvem equipes multidisciplinares formadas por engenheiros, projetistas e especialistas em HVAC.

Somente após essa análise detalhada é possível determinar qual sistema atende melhor a cada área.

A manutenção como parte da segurança hospitalar

Outro aspecto que merece destaque é a manutenção. Sim, pois em ambientes hospitalares, o sistema de climatização não pode simplesmente falhar sem consequências imediatas. Portanto, programas de manutenção preventiva tornam-se fundamentais.

Uma manutenção bem executada ajuda a garantir:

  • Funcionamento contínuo dos equipamentos – diminuindo as paradas de emergência
  • Estabilidade das condições ambientais
  • Qualidade do ar interno
  • Maior vida útil dos sistemas

Consequentemente, a confiabilidade do sistema aumenta significativamente.

Considerações finais

A presença de sistemas VRV/VRF em hospitais ainda gera debates entre profissionais da área de climatização. No entanto, experiências práticas mostram que essa tecnologia pode ser utilizada com bons resultados quando aplicada de maneira criteriosa.

Em vez de substituir completamente outros sistemas, o VRV costuma atuar como parte de uma solução mais ampla de climatização hospitalar.

Quando integrado a sistemas de ventilação e tratamento de ar, ele pode contribuir para eficiência energética, flexibilidade operacional e controle térmico adequado em diversos setores da edificação.

Assim, mais do que perguntar se o VRV pode ser utilizado em hospitais, talvez seja mais útil avaliar como e onde essa tecnologia pode ser aplicada dentro do projeto de climatização hospitalar.

Referências

ASHRAE — HVAC Design Manual for Hospitals and Clinics

ABNT — NBR 7256: Tratamento de ar em estabelecimentos assistenciais de saúde

ANVISA — RDC 50/2002

Daikin — VRV System Engineering Data Book

*João Agnaldo Ferreira é engenheiro mecânico com ampla experiência em projetos, treinamentos e consultoria técnica.

Mais informações em: www.sistemavrv.com.br e no canal “Sistema VRV”.

Tags: Ar CondicionadoAVACClimatizaçãoClimatização HospitalarConforto TérmicoEficiência EnergéticaHVACManutençãoProjetoQAIRetrofitTratamento de ArVentilaçãoVRFVRV

Categorias: SINDRATARPE

0 comentário

Deixe um comentário

Avatar placeholder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *