Voltada a equipamentos fora da garantia de fábrica, manutenção reduz consideravelmente gastos com peças

Por Redação / FONTE: BLOG DO FRIO

Com o avanço tecnológico dos sistemas de controle de temperatura e a expansão da cadeia do frio no transporte de alimentos, vacinas e outros produtos igualmente perecíveis, a eletrônica embarcada tornou-se peça-chave para garantir a operação segura e contínua desses equipamentos.

Nesse contexto de crescimento da logística refrigerada no país, também vem aumentando sensivelmente a demanda por manutenção especializada em baús e contêineres frigoríficos.

Entre os serviços mais procurados está o conserto de placas eletrônicas e painéis de controle, componentes essenciais para o funcionamento desses sistemas e que possuem alto custo quando precisam ser substituídos e não contam mais com garantia de fábrica.

Esse nicho técnico, ainda pouco explorado no Brasil, é o foco do trabalho do engenheiro mecatrônico Fernando Alves, fundador da My Way Refrigeração, empresa paulista especializada na recuperação de módulos eletrônicos e painéis LCD HMI utilizados em equipamentos de transporte frigorífico das marcas Thermo King e Carrier Transicold.

Com mais de 20 anos de experiência no setor, Alves começou a trabalhar ainda jovem em oficinas de refrigeração. Posteriormente, fez treinamentos em rede de concessionária autorizada dos equipamentos e cursos técnicos em refrigeração e eletroeletrônica, tendo se formado em engenharia mecatrônica pela Unip de Jundiaí em 2024. Ao longo da carreira, atuou na manutenção de grandes frotas de caminhões refrigerados.

“A falta de profissionais especializados no conserto dessas placas no Brasil foi o que me motivou a investir nessa área. Durante anos, muitas empresas precisavam enviar os módulos defeituosos para oficinas especializadas no Sul do país, o que podia deixar caminhões parados por até uma semana. Imagine o prejuízo que isso provoca para uma transportadora”, explica o engenheiro.

Fernando Alves: Para equipamentos fora da garantia, muitas vezes o conserto compensa mais do que comprar um dispositivo novo, que pode custar até R$ 7 mil | Foto: Arquivo Pessoal

Grande parte desses equipamentos é importada, principalmente dos Estados Unidos, o que encarece a reposição de peças. Para quem precisa consertar um equipamento fora da garantia, comprar uma placa eletrônica pode custar entre R$ 10 mil e R$ 15 mil, enquanto um painel de controle pode chegar a R$ 6 mil ou R$ 7 mil nas concessionárias.

“Na maioria das vezes compensa consertar. Eu faço o diagnóstico, substituo o componente defeituoso e devolvo funcionando, com custo bem menor”, salienta Alves, que presta serviço para grandes empresas, como Júlio Simões (JSL), entre outras.

Em seu laboratório de eletrônica instalado na região do km 24 da Rodovia Anhanguera, em São Paulo, Alves realiza reparos em circuitos integrados, trilhas e componentes danificados. Os defeitos mais comuns incluem corrosão por umidade ou maresia, solda fria, falhas de contato elétrico e danos causados por descargas eletrostáticas.

Além do reparo eletrônico, ele também presta suporte técnico em sistemas de refrigeração, como carga de gás, troca de alternador ou motor de partida. Ainda assim, o foco principal permanece na recuperação de placas e módulos eletrônicos, um serviço ainda raro no país e que tem uma enorme demanda reprimida.

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