FONTE: REVISTA DO FRIO

Custos, câmbio e cadeia de suprimentos permanecem sob pressão enquanto o setor acompanha as negociações comerciais e o ambiente político em busca de maior previsibilidade.
A tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos para produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho de 2026, acrescenta um novo fator de incerteza ao planejamento da indústria de aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração (HVAC-R). Embora a exposição direta do setor ao mercado consumidor norte-americano seja limitada em diversos segmentos, o impacto sobre a cadeia de suprimentos tende a ocorrer pelo encarecimento de componentes importados e de insumos metalmecânicos, como aço e alumínio, cujos preços acompanham as oscilações do mercado internacional.
O cenário se soma aos indicadores apresentados pelo Termômetro AVACR, elaborado pelo Departamento de Economia e Estatística da ABRAVA, que já registravam interrupção da trajetória de redução dos custos de produção, inflação setorial projetada em 5,11% e deterioração dos índices de confiança empresarial. Ao mesmo tempo, o levantamento mostra que as expectativas permanecem ligeiramente acima da linha de neutralidade, sustentadas pela demanda doméstica por infraestrutura de refrigeração e projetos de retrofit.
A avaliação predominante entre agentes da cadeia é de que a volatilidade deverá permanecer enquanto persistirem as negociações comerciais e o ambiente político. Historicamente, medidas tarifárias adotadas em períodos eleitorais costumam ser acompanhadas, após a definição do novo cenário político, pela retomada de negociações técnicas entre os países. Caso esse movimento se confirme, a tendência é de redução das incertezas para o comércio internacional e maior previsibilidade para decisões de investimento e compras.
Até que esse ambiente se estabilize, empresas do setor concentram esforços na gestão de estoques de componentes críticos, na diversificação de fornecedores, especialmente no mercado interno e asiático, na adoção de mecanismos de proteção cambial em contratos de longo prazo e no acompanhamento das linhas de crédito anunciadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), operacionalizadas pelo BNDES por meio do Plano Brasil Soberano.
As medidas de apoio contemplam fabricantes de máquinas e equipamentos elétricos, categoria que inclui empresas da cadeia HVAC-R exportadoras ou fornecedoras de componentes para indústrias afetadas pelas tarifas. Entre as modalidades previstas estão capital de giro, financiamento à exportação e investimentos voltados à diversificação de mercados.
Para o setor, o momento permanece marcado por cautela operacional. Apesar da pressão sobre custos e do aumento da incerteza, os indicadores disponíveis não apontam paralisação da atividade, mas sim uma estratégia de adaptação até que o ambiente comercial e político apresente maior estabilidade.
Indústria pede ampliação da NIB após tarifa de 25%
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) propôs ao governo federal a criação de uma sétima missão da Nova Indústria Brasil (NIB), voltada aos setores afetados pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos. A entidade defende a elaboração de um plano de ação em parceria com o governo, federações estaduais e associações setoriais para ampliar o apoio à indústria. Segundo a CNI, a iniciativa não substitui as negociações entre Brasil e EUA, mas busca oferecer instrumentos para preservar a competitividade das empresas brasileiras.
Resumen (español)
La aplicación de un arancel adicional del 25% por parte de Estados Unidos introduce un nuevo factor de incertidumbre para la industria HVAC-R brasileña. Aunque la exposición directa al mercado estadounidense es limitada en varios segmentos, el sector puede verse afectado por el aumento del costo de componentes importados y materias primas. Indicadores de ABRAVA muestran mayores costos de producción y menor confianza empresarial, aunque las expectativas siguen ligeramente por encima de la neutralidad gracias a la demanda interna. Mientras continúen las negociaciones comerciales y el escenario político, las empresas priorizan la gestión de inventarios, la diversificación de proveedores y el acceso a líneas de crédito del gobierno.
Summary (English)
The additional 25% U.S. tariff adds uncertainty to Brazil’s HVAC-R industry. While direct exposure to the U.S. consumer market remains limited for several segments, companies may face higher costs for imported components and metalworking inputs. According to ABRAVA’s economic indicators, production costs have increased and business confidence has weakened, although expectations remain slightly above neutral due to domestic demand for refrigeration infrastructure and retrofit projects. Until trade negotiations and the political environment become more stable, companies are focusing on inventory management, supplier diversification and government-backed financing programs.
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