Gerente da Trane Brasil explica por que eficiência energética em climatização deixou de ser diferencial e virou condição de sobrevivência competitiva

FONTE: INDÚSTRIA NEWS / porGERALDO BASTOS

O ar-condicionado de um shopping center pode consumir até 50% de toda a energia do empreendimento. Em uma indústria, o percentual varia de acordo com o processo e o segmento,  mas o peso na conta operacional é igualmente significativo. É a partir desse dado que a americana Trane, marca da Trane Technologies, estrutura seu argumento de negócio no Brasil: eficiência energética deixou de ser diferencial para se tornar necessidade competitiva. “Cada vez mais as empresas estão olhando para a eficiência energética não mais como um diferencial, mas como uma necessidade. Se não tiverem o custo cada vez mais enxuto e otimizado, perdem competitividade”, alertou Giancarlo Delatore, gerente de controle e soluções da Trane Brasil, em entrevista ao jornalista Geraldo Bastos, no Webinar da Indústria.

A empresa opera no Brasil há mais de 40 anos e atende uma carteira ampla –  shoppings, hospitais, hotéis, indústrias farmacêuticas, de alimentos e bebidas, siderurgia, agronegócio e data centers. Um case ilustra bem o argumento: no Shopping Pátio Brasil, em Brasília, a Trane trabalhou ao longo de anos em ajustes e otimizações do sistema de climatização. O resultado foi uma redução de 44% na conta de energia do empreendimento. “Foram pequenos updates, ajustes e negociações com a concessionária de energia que, somados, chegaram a esse número”, explicou Delatore.

O caso ajuda a mostrar por que a escolha do  aquecimento, ventilação e ar-condicionado (HVAC)  precisa considerar não apenas o investimento inicial, mas também o custo total de propriedade ao longo da vida útil do equipamento.

A transformação também passa pela tecnologia. Delatore afirma que o portfólio disponibilizado pela Trane no Brasil utiliza plataformas globais e inclui equipamentos com variadores de frequência, controles avançados, motores de maior eficiência e refrigerantes de baixo potencial de aquecimento global. A inteligência artificial começa a entrar nesse mercado de forma mais específica, com aplicações voltadas à operação de sistemas HVAC. A empresa incorporou ao seu portfólio a BrainBox, especializada em IA para climatização, e trabalha na expansão dessas soluções para o mercado brasileiro.

Um dos segmentos com maior expectativa de crescimento são os data centers. Com a expansão da IA generativa e dos modelos de hyperscale, a demanda por resfriamento tende a crescer de forma expressiva. O gerente da Trane avalia que o Brasil está na ante sala desse movimento.

“A gente sentia que estava demorando um pouco para sair do papel. Aparentemente, isso está começando a acelerar”, afirmou. O país tem uma vantagem estrutural nesse debate: mais de 84% da energia gerada aqui vem de fontes renováveis, o que favorece a atração de grandes operadores globais que precisam comprovar sustentabilidade nas suas operações.

Giancarlo Delatore
Giancarlo Delatore: “Cada vez mais as empresas estão olhando para a eficiência energética realmente não mais como um diferencial, mas como uma necessidade”

Bahia no radar da Trane

A Bahia e o Nordeste fazem parte do mapa de operações da Trane com estrutura própria. A empresa mantém técnicos de pós-venda alocados em Salvador, Recife e Fortaleza, além de um parque instalado de equipamentos expressivo na região. “A Trane tem um parque instalado de equipamentos na Bahia muito forte, no Nordeste também, em geral”, afirmou Delatore, que sinalizou o interesse da empresa em ampliar ainda mais a presença regional.

Para empresários que ainda encaram climatização como centro de custo puro, Delatore tem um conselho direto: olhe para o ciclo de vida do sistema, não para o preço de entrada. Um projeto de HVAC é dimensionado para durar 15 a 25 anos. Custo de energia e manutenção ao longo desse período pesam muito mais do que o investimento inicial.

Ele cita ainda um exemplo concreto de tecnologia disponível e ainda pouco adotada: bombas de calor elétricas, que substituem caldeiras e queimadores a gás em hospitais, hotéis e indústrias que precisam de água quente. “O retorno financeiro é absurdamente rápido, além de reduzir custos operacionais e emissões”, disse.


O WEBINAR DA INDÚSTRIA é um espaço de diálogo promovido pelo Indústria News para discutir os principais temas que impactam a indústria, a economia e os negócios. A cada edição, empresários, executivos, sindicalistas, pesquisadores, dirigentes e especialistas analisam desafios, oportunidades e tendências que ajudam a compreender os rumos do desenvolvimento industrial da Bahia e do Brasil.

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