Celebrada em 8 de outubro, a data surgiu em São Paulo, ganhou o país e pode ser oficializada em todo o Brasil por projeto em tramitação no Congresso

PorAdriana Guarda / FONTE: JC PE / UOL

A proposta já foi aprovada pelo Senado e pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados

A proposta já foi aprovada pelo Senado e pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados – Thiago Lucas

O Dia do Nordestino, celebrado em 8 de outubro, pode ganhar reconhecimento oficial em todo o Brasil. Um projeto de lei que tramita no Congresso Nacional pretende instituir a data no calendário nacional como Dia Nacional do Nordestino e da Nordestina. A proposta já foi aprovada pelo Senado e pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, mas ainda precisa concluir sua tramitação para se tornar lei federal.

O Projeto de Lei nº 2.755/2022, apresentado pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA), pretende instituir o Dia Nacional do Nordestino e da Nordestina, ampliando o alcance de uma celebração que já faz parte do calendário popular. 

A proposta foi apresentada em novembro de 2022, após os episódios de ataques preconceituosos contra a população nordestina registrados durante as eleições presidenciais daquele ano. Na justificativa, o senador destaca a contribuição histórica dos nordestinos para o desenvolvimento do Brasil e a importância de combater a discriminação regional.

O texto foi aprovado pela Comissão de Educação e Cultura do Senado em novembro de 2024 e encaminhado à Câmara dos Deputados no mês seguinte. Em abril de 2026, recebeu parecer favorável da Comissão de Cultura, sob relatoria da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA).

Agora, a proposta aguarda a designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Como tramita em caráter conclusivo, poderá seguir para sanção presidencial se for aprovada sem alterações e não houver recurso para votação no plenário.

História da data

Instituído há 17 anos, o Dia do Nordestino nem foi criado na região nem por um nordestino. A iniciativa partiu do então vereador Francisco Chagas (PT), natural de Presidente Prudente, no interior paulista, e ganhou força em São Paulo, cidade que tem a maior concentração de nordestinos fora da região.

Ao longo de décadas, milhões de pessoas deixaram seus estados de origem em busca de trabalho e melhores condições de vida na maior metrópole brasileira. Ajudaram a construir a cidade, movimentaram sua economia, abriram negócios e levaram consigo a música, a culinária e as tradições do Nordeste. Foi para reconhecer essa contribuição que Chagas apresentou o projeto que deu origem à Lei Municipal nº 14.952, de julho de 2009, instituindo a data.

A data homenageia o nascimento do poeta e compositor maranhense Catulo da Paixão Cearense, nascido em 8 de outubro de 1863. Conhecido como o Poeta do Sertão, ele foi imortalizado pela letra de Luar do Sertão, que fez com que se tornasse um dos maiores nomes da música e da poesia popular brasileira.

A criação da data também coincidiu com o ano do centenário de nascimento de Patativa do Assaré, comemorado em março de 2009. O poeta cearense, um dos maiores representantes da cultura popular nordestina, foi homenageado na primeira celebração oficial do Dia do Nordestino, realizada pela Câmara Municipal de São Paulo em outubro daquele ano.

Outras homenagens

Mas a homenagem aos nordestinos em São Paulo é ainda mais antiga. Em 1993, o estado já havia instituído o Dia do Nordestino em 2 de agosto, data da morte do cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, em 1989. Naquele mesmo ano, a capital paulista criou a Semana da Cultura Nordestina, realizada na primeira semana de agosto, com atividades dedicadas às tradições da região.

Em 2019, a própria capital paulista alterou seu calendário oficial e passou a celebrar o Dia do Nordestino também em 2 de agosto, revogando a lei municipal de 2009. Apesar da mudança, o 8 de outubro continuou sendo amplamente comemorado em diferentes partes do Brasil.

Enquanto o reconhecimento nacional não chega, o 8 de outubro segue como uma oportunidade de celebrar a identidade nordestina e a contribuição de uma região que ajudou a construir a história, a economia e a cultura do Brasil.

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