O Volume de Refrigerante Variável sempre merece ter seus princípios revisitados
Por João Agnaldo Ferreira / FONTE: BLOG DO FRIO
Lançado em 1982 pela Daikin – que patenteou mundialmente o nome Volume de Ar Variável -, o conceito que revolucionou o ar-condicionado recebeu de outras fabricantes a denominação VRF e até hoje merece ter seus princípios revisitados, devido ao seu elevado grau de inovação.
Características principais
- Sistema de expansão direta.
- Modulação precisa da capacidade.
- Conectividade com múltiplas unidades internas, às vezes mais de 60 na mesma frigorífica.
- Tecnologia inverter nos compressores “Scroll”.
- Menor consumo de energia elétrica, inclusive comparando com outro VRV/VRF de uma linha mais antiga ou inferior.
- Distribuição inteligente do refrigerante. Ou seja, cada unidade interna fica com sua parcela naquele determinado momento.
- Operação simultânea de resfriamento e aquecimento (em modelos Heat Recovery).
O coração do sistema: compressor inverter
Um dos diferenciais dos sistemas VRV/VRF é o uso de compressores inverter de corrente contínua (DC Inverter), da modalidade “scroll” e totalmente herméticos, que não permitem instalar variador de frequência. Isso significa, na prática que esses compressores são montados na fábrica.
As vantagens do compressor inverter em sistemas como estes são:
– Economia de energia significativa.
– Funcionamento contínuo e silencioso, pois não há pico de corrente ou tensão.
– Maior vida útil dos componentes mecânicos.
– Controle mais preciso da temperatura.
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O “Inverter” é um componente eletrônico de potência que faz variar a frequência da alimentação de energia elétrica a um motor, no nosso caso, um compressor, continuadamente.
Um inversor ou variador de frequência, popularmente conhecido como “Placa Inverter” é quem recebe a frequência da rede de 60 Hz e entrega ao compressor a frequência necessária em cada momento.
Isso nos remete a dizer que não é qualquer compressor, trata-se de um componente adaptado estruturalmente às várias frequências/velocidades. Válvulas de expansão eletrônica: controle total do fluxo de refrigerante
A válvula de expansão eletrônica (EEV) é outro componente crucial no desempenho dos sistemas VRV/VRF.
Ela trabalha em sincronia com o compressor inverter, isto é, se este acelera a válvula abre mais, liberando mais refrigerante. Por isso mesmo, costuma ser do tipo “passos” ou “pulsos”. Ambos os tipos garantem ajuste fino.
Dentre os principais benefícios das válvulas de expansão eletrônica estão:
- Resposta imediata às variações de carga térmica, abrindo mais ou fechando mais.
- Melhor controle do superaquecimento do evaporador. Aliás, essa é a função primordial destes componentes nos sistemas VRV/VRF. No geral, todos os fabricantes têm como target 5º C de superaquecimento útil. Lembrando que o superaquecimento total também é importante para garantir a integridade dos compressores.
- Evita retorno de líquido para o compressor.
- Trabalho em conjunto com sensores e com a placa “mãe”, localizada no condensador.
- As válvulas têm ainda a função básica de funcionar como uma solenóide, que abre e fecha o fluxo de refrigerante para o evaporador.
*João Agnaldo Ferreira é engenheiro mecânico com ampla experiência em projetos, treinamentos e consultoria técnica.
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